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Vou prá Nova York, tchau

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I want to wake up
In that city that never sleeps…

Nova Iorque fascina. Ou, pelo menos, eu acho que fascina. Todos que a conhecem, ou conheceram, dizem que é um daqueles lugares que tem a capacidade de englobar, sintetizar, apaixonar. Outros dizem que ela é demais: gente demais, barulho demais, consumo demais. Mesmo sendo grande, barulhenta e frenética, o contraponto ameniza. Ela é, também, colorida, dinâmica e magnética, um vulcão de prazeres para qualquer gosto. Nela, as contradições convivem, para o bem e para o mal, e o estereótipo se transforma em surpresa e novidade, a cada rua ou esquina superlotada. Nesta cidade tudo é demais: gente demais, barulho demais, consumo demais.

Com aproximadamente 20 milhões de habitantes em sua área metropolitana, a Big Apple é um imbróglio racial, um amálgama exagerado de diferentes culturas e costumes. Brancos são maioria, mas os asiáticos, hispânicos, negros não hispânicos e outros cada vez mais se diluem nesta salada multicolorida e multicultural. E outros continuam chegando, visitando, se instalando, e se destacando. É o destino do sonhador, a Meca da indústria (qualquer indústria), a vitrine global: vencer em New York é vencer no mundo.

Tenho planos de visitar Nova York, conhecer suas obviedades e seus segredos, suas pontes e túneis, seu miolo cultural ladeado pelo Hudson e pelo East, seus tão falados distritos (especialmente Manhattan – por culpa do Woody, claro). Quero experimentar o lado bom e o lado normal dos nova-iorquinos: ser bem recebido pelo acolhedor boa praça, que me mostrará o caminho correto para o Central Park, e apontar o dedo, em riste, para o apressado e não tão receptivo morador.  Quero respirar o stress das ruas e lojas lotadas, me esbaldar na Broadway e sentir o calor humano do Brooklin. Claro, quero também, como uma mosca, ser atraído pelos luminosos de Times Square, e babar de vontade nas vitrines da Quinta Avenida. Precisarei, também, escavacar o lado menos glamouroso, menos chique e mais pulp. Especialmente os bares por onde os grandes escritores e artistas passaram, beats como Jack Kerouac e Burroughs, e cineastas como Allen, Scorsese e outros.

E como me receberia esta gigantesca, global e atípica cidade americana? Eu, mais um entre os 52 milhões de visitantes que a cada ano prá lá vão, em busca de tudo? De várias maneiras, imagino: com o calor dos musicais e a fama lapidada nas calçadas, com a melancolia que teima em ficar após os ataques de 2001, com o ufanismo admirável e o orgulho patriota em azul e vermelho, com a chama da Liberdade ostensiva sobre as águas. Enfim, são várias as possibilidades que a cidade tem para receber seus peregrinos modernos. Mas isso, na verdade, não importa.

Prá mim, o que importa mesmo é como eu devo receber Nova York, chegando lá: de braços abertos, permitindo um hug caloroso, que mandaria para o espaço os preconceitos e as barreiras sociais (e linguísticas). Quero buscar a energia da cidade, que não está nos cartões postais, mas sim nas suas ruas. Afinal, nenhum roteiro turístico, por mais complexo que fosse, me permitiria cobrir todas as atrações da grande maçã.

Claro, vou pela diversidade, pela cultura, pelas artes e artistas, pelos intelectuais e aventureiros. Mas vou também prá ser turista. E comprar uma camiseta escrita “i Love NY”, que ficará guardadinha na mochila. Na volta, eu uso.

Publicado no livro “Casamundi – Crônicas de Viagem”
lançado em 2015 – Casamundi Cultura


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