liberte seu texto!

Árvore de Natal de bombons

227

Olhinhos saltitando, na espera.
Luzes, muitas luzes. Música vibrando na janela da frente.
Cheiro de casa.
Árvore enorme no pé da escada. Escada da casa da vó.
Acreditem, alcançava os dois andares de escada. Podia ser vista de cima. Podia ser vista de baixo quando a porta se abria e te recebia. Inesquecível.
Árvore de Natal de bombons! Da casa da vó.
Netos ansiosos passeando pelo corrimão. Tal qual Bondinho do Pão de Açúcar, subindo e descendo. Levitando nos degraus para poder pendurar os bombons no céu da árvore.
Deliciando cada um. Nos sonhos de netos. Nos sonhos da vó.
Sabíamos exatamente o lugar onde estariam pendurados e, melhor, sabíamos que na Noite de Natal seriam nossos.
A árvore fascinava.
Certezas absolutas permeavam. Como se os adultos soubessem que, fomentando um chão forte, a casa criança não desaba.
Apavora tanta fé.
Eram grandes famílias, feitas de avós, tios, primos, vizinhos, amigos. Crianças brotavam por toda a rua, lindas, vestidas de roupa de festa, correndo pelo Papai Noel.
Pura expectativa.
Tempo em que as crianças corriam a noite na rua, da própria rua de suas casas. Tempo de uma espera eterna. Demorava tanto para ganhar a boneca, o carrinho, aquele sonhado presente.
Em êxtase.
Curiosas, espreitando. Uma única dúvida pairava no ar – o Papai Noel chegaria de “luva preta ou de luva branca”.
(Preta: não me comportei bem. Branca: fui ótima, arrasei!)
Mas, que o Papai Noel chegaria, dobrando a esquina de nossa rua, disso não havia qualquer dúvida.
Era certeza.
Flecha no peito tremia o corpo, apaixonante.
E.E.Cumming nos embala em versos quando diz,
“Carrego seu coração comigo, Eu o carrego no meu coração”.
Carrego hoje comigo, coração e alma desses registros, e tem mais, eu os carrego dentro do meu coração. Árvore de Natal de bombons, Papai Noel. Finais felizes ou menos felizes não importam.
Carregamos em nosso peito o coração cheio de nossas histórias.
Sim! Natal e Fim de Ano têm suas marcas, nossas marcas, de todos. Afetos das relações vividas.
Me pego pensando se tinha mesmo tanto brilho todas aquelas noites. Não lembro. O que lembro, sim, tem muito brilho! Tanto, que minha filha foi criada com Árvores de Natal de bombons.
Te carrego em mim.
E, este final de ano, acreditem, é só mais um fim. Proponho a cantiga, Papai Noel vê se você tem…
Muitos janeiros que dobrem nossas esquinas e nos surpreendam. Cheiros e julhos que nos desafiem, agostos com gosto. Corações vibrantes para novos novembros.
E, que venham mais dezembros pulsantes de transformações. Ruas com crianças correndo. Mais esquinas a suspirar.
Nós vivemos de nos amar, de nos odiar, de nos apaixonar. Paradoxos nos constituem, podem acreditar: acreditar, ou não, em Papai Noel, odiar, ou não, todos esses fins de ano. Assim é…
É só mais um.
Seja autêntico, acredite em você, faça acontecer. Tua verdade vai te dizer como viver esse Novo Ano. Assim, sempre e sempre, novos Finais te sejam repletos.
Feliz final de ano! Deste ano.


GOSTOU DO TEXTO?
Envie sua avaliação e/ou comentário!

  • Criação - Santa Sede Circuito
6 nota (11 votos)
Criatividade e estilo7
Ritmo e nexo6
Linguagem e gramática6
avaliações: avaliar
Filtrar por:

Seja o primeiro a avaliar.

User Avatar
verificado
{{{review.rating_comment | nl2br}}}

mostrar mais
{{ pageNumber+1 }}
avaliar