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Minha casa de meu pai

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Minha casa vai se transformar. A casa de meu pai já não é mais casa. Não é minha nem de meu pai. Nem a rua é mais rua, é avenida. Onde jogávamos “baleia fora d’água” irresponsavelmente saudável, hoje impossível.
Mas ainda é a madeira da porta da garagem com grades enormes. E ainda é o pinheiro dos fundos que de tão grande fazíamos uma corrente humana para abraçá-lo. Bracinhos infantis, corrente minguada, mas ainda corrente e pinheiro abraçado.
Uma marca duradoura de nós mesmos.
Um balanço não podia faltar. Duas cordas grossas, quatro nós indestrutíveis e um assento de madeira. O balanço vai e volta. Gritinhos acompanhavam esse frenesi das tardes da casa de meu pai. Minha casa. O tradicional grito “empurra bem alto” não podia faltar e segue não faltando. Sonhar alto faz parte de alcançar algo. Como um guia não deixa o desistir se instalar.
Madeira povoa meu universo. O ir e vir do balanço povoa minhas conquistas. Na volta o balanço traz consigo o presente, novos empreendimentos se erguendo.
Não deixa nunca de gritar pelo que te incomoda! Agora não ouço gritinhos infantis, adultos não abraçam pinheiros, defendemos opiniões, valores, postura, política, vida e família.
Novas casas tenho agora.
Casa da praia.
Casa da cidade.
Casa de trabalho.
Todas sem pinheiros, balanços ou madeira (impacto ambiental). E quando o balanço alcançar os céus novamente, rotina, trabalho, abusos, sonhos, amores correspondidos ou ignorados nos chamam. Não tem como não escutar.
David Coimbra escreveu em sua coluna vi que o importante é construir o passado, a cada hora do seu dia você está construindo seu passado.
Madeira, pinheiros, balanços, deram consistência a meu passado. Escrevendo, dou corpo a meu presente.


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