Passei por essas plácidas colinas
E vi do asfalto, barulhento, tiroteio
findar vidas de forma repentina.

Vejo o homem da milícia, armado
domina o morro: algoz dessas ruínas
que exclama com clareza: aqui o caralho!

Ó coragem “do polícia”! Ó vasta
desolação da viúva, estéril esperança
que o não retorno a casa devasta.

Largas enchentes em morros desbancados,
destroem noites, inesperadamente,
e sonhos chegavam ao fim, de todos os lados.

Pelas ciclovias caminham o perigo
que por ondas encantadoras e inesperadas,
são derrubadas pelas negligência do dito amigo.

Que negligência, que chama, que caos.
Da história de um museu agora queimado
que da cinza só recorda o que vivia?

Entre nuvens, alojamentos e chamas,
a ternura de jovens penitência
o desejo da bola jogar alegremente.

Por onde o passo da ambição rugia
Roubava Cabral, matava Marielli, encenava Garotinho
E o povo sem direito agonia.

Tudo ao redor é tanta coisa e é nada:
Felicidade, tristeza, malandragem — o que procuro?
Um Rio de Janeiro que continua lindo?

Eloquência da simples despedida:
“Adeus! Não há mais esperança para todos!
(Esse adeus estremece milhões de vidas).

Crônica inspirada na poesia Cenário, da escritora carioca Cecília Meireles.

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