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E agora, Verão?

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E agora, Verão?
O happy hour acabou,
a piscina fechou,
a brisa sumiu,
a noite chegou,
e agora, Verão?
e agora, Você?
Você que não é ameno,
que esquenta os corpos,
Você que traz lembranças,
que anima, enfraquece?
e agora, Verão?

Está sem guarda-sol,
está sem biquini,
está sem caipirinha,
já não pode beber,
já não pode nadar,
bronzear já não pode,
a noite chegou,
o milho verde não veio,
a sorvete não veio,
o côco gelado não veio,
não veio a nostalgia
que tudo lembrou
que tudo postou
que tudo curtiu,
e agora, Verão?

E agora, Verão?
sua beleza exala,
seu vento me segue,
sua gula incomum,
sua soneca,
seu pouso douro,
sua lembrança de quadro,
sua irreverência,
seu ócio, — e agora?

Com o dedo no tela
quer fechar a janela,
não existe janela;
quer pousar no mar,
mas o morro sucedeu;
quer ir para Floripa,
Floripa não há mais.
Verão, e agora?

Se você insistisse,
se você ficasse,
se você ditasse,
a data repense,
se você sumisse,
se você calasse,
se você soubesse…
Mas você não sabe,
você é rei, Verão!

Adormece neste escuro,
com seu jeito pacato,
em sintonia,
com a linda lua,
para se contrastar,
com o inverno escuro,
que gela o cangote,
você arrepia, Verão
Verão, para onde?

*paródia do poema José, de Carlos Drummond de Andrade


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