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Parem com a globalização

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A globalização aproxima diversas sociedades em âmbitos econômicos, sociais e culturais. Os últimos anos mostram a enorme velocidade desta expansão de ideias, que deixam o mundo cada vez menor e alteram o formato das relações entre as pessoas.

– Oi Paulo, tudo bom cara? Que saudade! — Jair chegava na casa do seu amigo que não via há 12 anos, desde que se mudara do interior gaúcho para o Canadá.

– Oi Jair, que bom te ver. Entra! Como estão as coisas?… Ana, o Jair chegou! – ao cumprimentar a esposa do amigo, Jair ficou no vácuo com os três beijinhos. Recebeu apenas um e o abraço. – Chega mais que estamos fazendo um churrasco para nós.

– Ué, usando grelha? E o churrasco no espeto com sal grosso que tu era craque em fazer?

– Que nada! Na grelha é melhor e mais rápido. Dá pra tentar uns temperos diferentes e até brincar igual aquele cozinheiro famoso ao jogar o sal (gestos e risadas).

– Ah tá! (risada debochada) Tem um chimarrão?

– Não, mas a Ana fez um drink especial pra nós. Este tem dry gym, vermute seco, gelo e azeitona. Toma aí que vou ligar a TV!

– NFL? Não me diz que tu está acompanhando futebol americano?

– Claro! Este ano certamente o Patriots vai ganhar o Super Bowl. Tu não olha?

– Às vezes. E vem cá, como anda o Faisca? Ainda está com aquele pelo bonito de sempre?

– Nem fala. Depois que pegou uma doença braba ele morreu. Desisti de ter cavalo, muito caro manter. Agora meu hobby é pedalar com um grupo de 20 ciclistas aqui da região.

Terminado o churrasco e o papo que correu por toda a tarde, Jair se despediu e pegou um táxi para ir embora. Se sentia feliz por matar a saudade do amigo, e triste do pensamento: Mataram nossas tradições. Logo o Paulo, não acredito! Maldito mundo globalizado. Nisto, avistou na esquina o bolicho do pai do Luís, amigo também de mesma data, que parecia resistir ao tempo. Desceu ali mesmo e entrou no lugar. Luís estava atrás do balcão, parecendo um clone de Paixão Côrtes, empunhando seu chimarrão.

– Mas bah, tchê. Que faz perdido por aqui Jair? — o tapa nas costas foi tão forte que Jair franziu a testa. — Já pega um mate e te senta, me conta das últimas!

Jair pegou o chimarrão, sentou e puxou a água da bomba com muita vontade. Nesta hora caiu uma lágrima do seu olho, ao mesmo tempo que ele abriu um sorriso de orelha a orelha.

– Quê foi Jair? O que houve vivente? Muito quente?

– Nada não! Só saudade do Rio Grande.


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