Um dia, do nada, os elementos todos surgiram de uma explosão que formou o mais vasto e inexplorável espaço que se tem conhecimento, preenchendo cada ponto com espetaculares galáxias, planetas e constelações.

Em um minúsculo ponto deste espaço, os átomos foram se aglomerando com uma energia capaz de devastar um continente, formando um imenso e sólido globo composto de terra, gás e água.

As estruturas e placas deste globo foram se movendo e se acomodando durante bilhares de anos, formando enormes montanhas, vales, cachoeiras, oceanos, lagos, cavernas, desertos e cânions.

Todo esse ambiente permitiu que moléculas fossem se combinando em estruturas cada vez mais complexas, formando um tecido mágico dotado de vida.

E os seres vivos foram lentamente evoluindo e se desenvolvendo em novas e diferentes espécies durante milhares de anos, inevitavelmente sucedendo uns aos outros no espaço finito de suas vidas.

Esse sopro mágico colocou sobre a Terra seu mais influente habitante: o humano.

E o ser humano ocupou e transformou o globo. A humanidade formou e idealizou novas sociedades e teorias sociais, descobriu o fogo, a eletricidade, os elementos químicos e suas composições, combinações, vantagens e perigos. Organizou sons e símbolos de forma a comunicar-se entre si. Planejou, projetou e construiu casas, vielas, cidades e países. Observou propriedades e reações físicas, descobriu minúcias sobre as leis mecânicas, elaborou máquinas, transformou matéria em energia, imagens em pulsos elétricos, percebeu ondas invisíveis que transmitem via rádio informação viva e interminável. Colocou sólidos e densos objetos a voar nos céus, toneladas de estruturas a boiar nos mares e velocíssimos maquinários a correr trilhos e estradas. Atravessou regiões com fios de comunicação, cabos de energia e dutos de escoamento. Elaborou e entranhou em suas comunidades uma imensa estrutura econômica funcionando sobre complicadas regras financeiras que engole seus indivíduos e consome suas vidas. Cobriu uma imensa parcela do planeta com imponentes estruturas de concreto e aço, numa obra tão magnífica quanto vil.

E eu, aqui, só consigo pensar em você.

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Comentários para: Pensando
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    29/03/2021

    Bárbaro! Leitura e autor “pulsam” em compasso/descompasso.

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